No terreno da formação do professor não há como desconsiderar a reflexividade crítica. Ao ser concebido como sujeito e não apenas como objeto depositário do conhecimento gerado por teóricos da educação, se prioriza o papel do professor na sua formação, o que significa dizer como Nóvoa, que a própria pessoa se forma mediante a apropriação de seu percurso de vida.
Em seus estudos Schön verifica que por trás da prática de bons profissionais, existem competências que não se explicam pela simples aplicação de princípios científicos. A partir desse dado critica a concepção de profissional apoiada num racionalismo técnico, num fazer reduzido à aplicação da ciência aos problemas concretos da prática. Schön descreve conceitos fundamentais como: conhecimento na ação (aquele que o profissional demonstra na execução), reflexão na ação (que ocorre durante a prática, quando há um diálogo com a situação), reflexão sobre a ação (retrospectiva, presente nas histórias e percursos de vida) e reflexão sobre a reflexão na ação (que transcende os anteriores e leva o profissional a construir sua forma pessoal de conhecer).
Os docentes, e neste caso, os da educação infantil devem conscientizar-se de que a formação profissional por excelente que seja, não é garantia de um desempenho perfeito especialmente em situações complexas.
As competências prioritárias a serem desenvolvidas pelo professor são aquelas do pensamento reflexivo. Significa dizer que de nada servem teorias de aprendizagem se estas não ajudam a identificar as dificuldades reais das crianças. Estes conhecimentos só terão valor quando o professor souber mobilizá-los na ação, combinando-os com a sua intuição e com a sua criatividade. São competências não só para ensinar, mas refletir sobre a prática.
Um alerta é feito por ZEICHNER: falar do professor reflexivo virou um modismo. Refletir, todo professor reflete. Mas, propor a formação do professor implica em qualificar esta reflexão: ver qual se configura essencial e necessária. Uma reflexão que ultrapasse o senso-comum e a simplicidade ingênua. Que considere a prática pedagógica em sua complexidade e singularidade, demandando os esforços docentes para construir os conhecimentos a partir das ações do dia-a-dia.
Diferentemente de Schön, Zeichner fala da reflexão que não pode estar circunscrita exclusivamente aos problemas da sala de aula, mas que precisa ser contextualizada em termos sociais. Aquela reflexão que não se restrinja apenas aos problemas particulares dos professores mas que os situe e amplie numa esfera social, histórica e política. Nóvoa também fala da necessidade dos professores envolverem-se com a construção de um trabalho interativo, um espaço de reflexão coletiva:
(...) A troca de experiências e a partilha de saberes consolidam espaços de formação mútua, nos quais cada professor é chamado a desempenhar, simultaneamente, o papel de formador e de formando. O diálogo entre os professores é fundamental para consolidar saberes emergentes da prática profissional. (1992, p. 26)
Negar este espaço de trabalho na escola é negar o exercício do professor de aprender a ouvir, pensar criticamente, questionar e rever-se permanentemente. Lembrando que a formação implica também em um processo pessoal e uma atitude de compreensão de si mesmo e da realidade, ALARCÃO afirma: “descobre o sentido da tua profissão e descobre a ti mesmo como professor”. (1996, p. 81)
Durante muito tempo não houve instituições responsáveis pela criança, o seu surgimento tem relação ao nascimento da escola, bem como ao pensamento pedagógico moderno, num período de várias transformações econômicas, políticas e científicas, e ainda com a invenção da imprensa, permitindo acesso à leitura.
Com a Revolução Industrial houve mudanças quanto à forma de tratar a infância, surgindo as creches e pré-escolas com o intuito de dar suporte a uma nova estrutura familiar da época.
A educação infantil está envolvida pelo educar e pelo cuidar, as crianças necessitam de atenção, carinho e segurança para sobreviver. Além disso, por meio de experiências com pessoas e coisas entram em contato com o mundo que as cerca.
O ato de cuidar abrange desde a organização dos horários de funcionamento, organização do espaço e materiais oferecidos. Já no ato de educar a criança mantém interação com as pessoas e as coisas, atribuindo significados com o que o cerca e participando de uma experiência cultural.
Nesta perspectiva a criança deve ser vista como um sujeito que vive no mundo da fantasia, do sonho, onde a afetividade, a brincadeira apresenta caráter subjetivo.
O cuidar e o educar dão características próprias à educação infantil, buscando formar um cidadão crítico e participativo na sociedade.
Assim, a forma como a creche e a pré-escola se organiza para constituir um processo de produção de sentidos e de criação de significados é o currículo, que deve incluir os mais variados elementos da vida das crianças e de seu grupo ou experiências vividas por eles.
O currículo precisa envolver aspectos da experiência política, dos modos de viver e de relacionar-se, do folclore, da literatura, da arte, da música, da TV, da revistas e jornais etc., pois não há um único conhecimento, consequentemente não existe apenas um currículo.
Com isso, devem-se levar em conta as diferenças de classes sociais, bem como a diversidade de etnia, sexo e cultura, a educação infantil precisa estar voltada á educação para a cidadania.
Faz-se necessário ensinar as crianças para que sejam cooperativas, autônomas e responsáveis, confiando nas suas formas próprias de agir e aprender.
O maior desafio é colocar a criança em contato com novas experiências, com novos conhecimentos, buscando desenvolver na criança a capacidade de ser criativo, de fazer coisas e de agir ativamente na sociedade.
As teorias que fundamentam a prática da educação infantil
Este texto tem como finalidade conhecer algumas teorias que fundamentam a prática na Educação Infantil, e também para compreender seus métodos. Como o Construtivismo, com suas trocas de experiências para que a criança interaja com o meio, acontecendo assim, seu desenvolvimento. A teoria Montessoriana, sempre com o intuito de desenvolver a inteligência. A pedagogia de Freinet, consecutivamente aliado ao bom senso, procurando estimular a capacidade de criação e expressão. E também da teoria de Waldorf, que se trata da observação do intímo do “ser criança” e das condições para seu desenvolvimento. Registrando juntamente cada prática que cada teoria defende para o adequado desenvolvimento e aprendizagem na Educação Infantil.
O trabalho educativo deve garantir condições de desenvolvimento e aprendizagem, sem esquecer-se de outra tarefa importante que é o cuidado físico e mental que temos que ter com as crianças pequenas. Pois educar significa também:
[] propiciar situações de cuidado, brincadeira e aprendizagens orientadas de forma integrada e que possam contribuir para o desenvolvimento das capacidades infantis de relação interpessoal de ser e estar com os outros e o acesso pelas crianças, aos conhecimentos mais amplos da realidade social e cultura
Com este trabalho foi possível distingui as várias teorias que podem fundamentar os métodos das escolas no Brasil.
No Construtivismo a criança aprende por si só, produzindo seu próprio conhecimento. Para tanto a sala de aula deve fornecer meios para o desenvolvimento cognitivo.
Já na teoria Montessoriana a educação começa antes mesmo do seu nascimento. Do 0 aos 6 anos que a criança inicia seu desenvolvimento. Sendo importante para isso, também, um ambiente motivador com varias oportunidades de exploração.
Para Freinet a criança é o centro de sua teoria. Estimular o conhecimento delas é o principal objetivo.
A teoria Waldorf procura um equilíbrio entre os trabalhos artísticos, acadêmicos e práticos, educando a criança num todo, envolvendo emoções, o físico e o cérebro. Cabendo aos adultos fornecer o ambiente adequado e uma qualidade de atitudes a serem imitadas.